domingo, março 25, 2007

hoje
sopro
in tenso
sopro

sexta-feira, março 23, 2007


voar com asas em vê evitando
caules que sugam raízes.
no ar, oitos e esses

quarta-feira, março 21, 2007

eu sei
labirintos
corredores
cicatrizes
de voos felizes

terça-feira, março 20, 2007


eu sei que há cortinas no céu. labirintos de paredes translúcidas onde correntes de ar me transformam os braços em asas. e pelos corredores do céu retratos de rostos sorriem e seguem-me com os olhos. não sei se sorriem sempre ou se é do ângulo em que a luz incide sobre eles no momento em vou a passar. prefiro o rosto azul sem rosto que não me prega os olhos nas costas, cicatrizes de voos felizes.

segunda-feira, março 19, 2007


impressão
matricial de 24 agulhas
se não medires as palavras, se não as contares, se não medires o comprimento das frases, o alinhamento, se não medires a extensão do texto, a intenção, se não verificares a ortografia, se não ligares a correcção automática, se não contares os erros. guardas

quarta-feira, março 14, 2007

ontem vi-te
no silêncio
na esperança
não que acredite

ensaio geral
ontem vi-te em grande, numa sala às escuras. não estavas na luz, nem na sombra, na voz ou no silêncio. eras a soma de muitas partículas de pó e de pele, partículas de gestos invisíveis a olho nu. porque os gestos visíveis somados se podem projectar às escuras, fui lá ontem, na esperança de também te encontrar. trago-te no bolso como um amuleto. uma espécie de combustível. um daqueles cristais que fechamos na mão quando os pés se desprendem do chão. não que acredite nessas coisas.


imagem: "o bosque". último ensaio [fev. 2006]

segunda-feira, março 12, 2007

manhã dentro
sinto o calor
a vida toda na cara
tenho poros elásticos na pele
ventosas de verdade

terça-feira, março 06, 2007

ante-estreia_13|3|2007_22h00_restart_entrada livre

Que horas são? Deve ser tardíssimo.

segunda-feira, março 05, 2007


the end
faltam-me tantas páginas para este futuro passado.

fui
com rodas silenciosas nos pés
ver se encontrava uma torneira
que me enchesse este buraco no peito.
por agora é lá que guardo os meu braços,
nas galerias internas que me acomodam os gestos.
e assim, seguro ao que resta,
evito perder mais partes de mim.
o buraco tem o tamanho exacto
da minha mão fechada.
por vezes finjo que os braços são vias
e que o sangue corre, involuntário,
alheio ao meu movimento.


nos espíritos de metal oxidado
nos olhos bem fixos e vedados
que não transbordam com o mundo

quinta-feira, março 01, 2007


caos
suspensa, imóvel. o cenário corre atrás de mim. volto-me para a minha teia oblíqua, ligo e desligo fios em circuito fechado. algures no mundo sons e brilhos enfeitam festas e, a um gesto meu, a grande apoteose
final.
?