sexta-feira, novembro 25, 2011

sísifo

ainda as sinto, quentes
duas mãos ou duas feridas
ou duas mãos feridas
nas minhas costas
sinto a vertigem do vértice
a pedra solta onde não cabem os meus dois pés
e toda eu acorro à hemorragia
plaquetas, pulso, pulmões
os braços estancando o movimento
mãos presas
a mãos
dedos
penas
asas desenhadas a lápis
des
prendem-se
despenham-se

sexta-feira, novembro 18, 2011

chroma key

chego a casa dou à chave
cheira bem
não está ninguém

o pó foi limpo
maséprecisocorrigiratrajectóriaoblíquadetodososobjectosnasestantes
mania das mulheres a dias

pouso as chaves
pouso a mala
dispo-me
peça por peça
devagar
e arrumo-me nua numa caixa
até ao jantar

chego à caixa ponho a tampa
cheira bem
não está ninguém

nas arestas invertidas há restos
de ombreiras antigas

ponho o corpo
ponho a pele
cubro-me de carne viva

segunda-feira, novembro 14, 2011

segunda-feira, novembro 07, 2011

furo lento

quatro carros avariados e três acidentes cruzaram-se hoje no meu caminho. sete triângulos e um reboque. estradas-bocas mudas que perdem dentes. ácidas. sempre em frente. não par
ar.
?