tenho duas almas que me prendem à vida
dois cordões de luz
presos ao fim do infinito
sou uma marioneta que abraça e que beija
e que finge ter pele e carne
em vez de pasta de papel
não como
alimento-me dos seus sorrisos e das suas birras
alimento-me das suas descobertas
ando à boca do palco
com passos quase perfeitos
da saída esquerda para a saída direita
e vice versa
os meus olhos não mexem
se não mexer o corpo todo
mas estou
ainda estou
aqui
neste lugar sem espaço nem tempo
neste chão e neste céu de amor