mal consigo abrir os olhos para escrever
não dormi não tive espaço
a cabeça cheia de discos de view
magic
a cores
braços redondos em volta de braços
duas bocas à volta de um desejo
que se formulou com imperceptíveis nadas

a tua voz enrolada na minha
sobre a mesa
o rio
enorme leito de azul
a mostrar-nos como só se vive avançando
até se nascer de novo dentro de um mar
muitas vezes

dedos nos lábios
(enquanto não se disser não pode ser mentira)
mãos nos bolsos
(enquanto não se tocar não pode esfumar-se)
olhos nas mãos nos dedos nos outros olhos

escrevo-te deste torpor deste quase sono
sem saber bem se adormeço ou se acordo

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