sexta-feira, junho 29, 2007


tradução
dentro da minha cabeça há um ponto onde as linhas convergem. não sofro de astigmatismo interior. mas as palavras saem difusas. sussurros, ruídos, silêncios. máscaras, resíduos do real acocorado no ângulo morto do retrovisor. desfazer a paisagem em panning. fade-out. music loud. credits roll.

sexta-feira, junho 22, 2007


engoliste-me com a tua boca azul. aqui em cima sou elástica. ao fundo há luz que mastigo com os olhos do meu corpo espelho.

sexta-feira, junho 15, 2007


frequência
de tanto andar sem me mover perdi o eixo do mundo. sentada numa caixa às cores onde tudo cabe. se a abrir saem sons de perto e de longe. uníssono desacerto.

quarta-feira, junho 13, 2007


rasto

e se os meus braços não param de crescer e se enterram e entrelaçam
nos caules e raízes
e se as pontas dos dedos há muito que os deixaram de sentir,
seguem cegas pelo meio das pedras

então os meus olhos seguem os dedos
são eles que descem gelados por mim
dois elevadores

segunda-feira, junho 11, 2007


vim de viagem com os olhos abertos. sempre abertos. olhos de dente-de-leão. vim de costas para o vento para não se perderem as coisas que trago para te mostrar. não me cabem nos bolsos, em malas, cestos ou sacos. tenho de as trazer assim, intactas.
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