terça-feira, fevereiro 28, 2017

una os pontos
1
pari-me um nada morto
um pedaço de carne só coração
cujo movimento re
pugna
sou assimétrica in
acabada
2
a minha mãe
perdão a minha mão
não soube arrancar-me
do fundo do ventre redondo e turvo
onde me agarrei
3
a minha mão segura apenas um coração
e não sabe o que fazer com ele
a minha mão segura-se ao coração
4
cada vez que te enganas a ler-me
eu morro
depois renasço como posso
e deixo que me leias de novo
só para poder ver os teus olhos
5
cada vez que te enganas maior é a tua certeza afiada
tens de sentir (tens de sentir) como a tua certeza (errada)
corta o atilho que me prende a alma a um dedo
6
sente
7
piso as presas da calçada
uma_______a______uma
pisarorisconãovale
8
cada vez que nasço
põem-me num frasco
já não sei como se faz para nascer inteira
vou nascendo às prest
acções
9
confio nos números nos rótulos dos frascos

sábado, fevereiro 18, 2017

harp

cosmic strings
threads of me
my spirit
cut in perfect lines
by the relentless
paper shredder


tensioned gazes fill my heart
waiting for timeless fingers
to erase all these clouds
of white noise
one day i will sound again
as one

(18 fev 17)

domingo, fevereiro 12, 2017

frutose

existo só 
nos gomos de vida
em que os outros me incluem
o resto do tempo vou-me acomo
dando
no ped
aço de algodão doce
de onde só saio
quando tiver raízes 

os dias cítricos 
ardem em círculos 
e largam sementes que não ger
minam
?